As palavras seguem cruzando fronteiras — e, desta vez, elas partem das salas de aula brasileiras rumo ao mundo.

Estão abertas, até 27 de março, as inscrições para o 55º Concurso Internacional de Redação de Cartas, promovido no país pelos Correios e voltado a estudantes de até 15 anos. A iniciativa mobiliza escolas públicas e privadas de todo o Brasil, que podem se inscrever desde 23 de fevereiro.

O tema deste ano dialoga diretamente com os tempos atuais: “Escreva uma carta a um amigo explicando a importância das relações humanas num mundo digital”. Um convite à reflexão em meio à avalanche tecnológica que transforma a forma como nos comunicamos — mas que não substitui o valor do vínculo humano.

A inscrição é feita exclusivamente pelas escolas, que podem selecionar até duas cartas para representá-las na disputa.

Uma ponte entre países

O concurso é promovido anualmente pela União Postal Universal (UPU), agência especializada da Organização das Nações Unidas (ONU), responsável por coordenar políticas e serviços postais internacionais. O objetivo é claro: estimular a escrita, fortalecer a alfabetização e incentivar a criatividade e o domínio linguístico de crianças e adolescentes.

No Brasil, a competição ocorre em três etapas: escolar, estadual e nacional. A melhor carta de cada estado avança para a fase nacional, que seleciona as três melhores redações do país. A vencedora representa o Brasil na etapa internacional, sob coordenação da UPU.

Premiação que reconhece talento e dedicação

O estudante autor da melhor redação na fase nacional recebe R$ 7,5 mil. A escola também é contemplada, com R$ 7.875. O segundo e o terceiro colocados recebem, respectivamente, R$ 6 mil e R$ 4.500, enquanto suas escolas ganham R$ 6.375 e R$ 4.875.

Na etapa estadual, o prêmio é de R$ 1.725 para o aluno vencedor e R$ 1.875 para a escola.

Brasil no pódio mundial

O desempenho brasileiro ao longo das décadas é motivo de orgulho. O país ocupa a segunda colocação no ranking histórico da competição, com três medalhas de ouro (1972, 1988 e 2006), duas de prata (1978 e 1980), duas de bronze (1992 e 2015) e sete menções honrosas. O Brasil fica atrás apenas da China, que soma cinco ouros.

Na edição de 2025, o concurso registrou 3.241 cartas inscritas, com participação de 2.158 escolas — sendo 1.419 públicas e 739 particulares. No interior de São Paulo, foram 374 cartas encaminhadas por 226 escolas.

O Brasil conquistou menção honrosa com a carta de Beatriz Kfouri Azevedo, da escola Canadense Bilíngue – Maple Bear, de Aracaju (SE). A vencedora internacional foi uma estudante da Turquia.

Mais do que uma competição, o concurso reafirma o poder transformador da palavra escrita. Em tempos digitais, a carta — simples, direta e humana — continua sendo um elo entre pessoas, culturas e sonhos.

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