Combate corpo a corpo freia dengue, mas portas fechadas ainda desafiam Marília

Agentes de saúde realizam vistoria em área externa de residência no Jardim Renata, eliminando possíveis criadouros do mosquito da dengue durante ação de bloqueio e orientação à população. (Foto: Divulgação)

Mutirão no Jardim Renata visita mais de 780 imóveis, elimina focos do mosquito e reforça alerta: batalha contra o Aedes depende também do morador.

Essa foi a vez do Jardim Renata. A guerra contra o Aedes aegypti continua sendo travada no detalhe — quintal por quintal, recipiente por recipiente. E foi exatamente nesse ritmo, de enfrentamento direto, que a Prefeitura de Marília levou às ruas uma ação concentrada na zona Norte da cidade, no último sábado (28).

O saldo, divulgado nesta segunda-feira (30) pela Secretaria Municipal da Saúde, revela tanto avanço quanto preocupação.

Foram 782 visitas técnicas realizadas em 22 quadras, mas o dado que chama atenção está no contraste: apenas 399 imóveis foram efetivamente trabalhados, enquanto 374 estavam fechados — quase metade (47,83%). Houve ainda 9 recusas.

Mesmo com as limitações, as equipes conseguiram eliminar 20 criadouros do mosquito, interrompendo possíveis cadeias de transmissão da dengue.

A batalha invisível dentro das casas

A operação mobilizou uma verdadeira força-tarefa: 22 profissionais, entre agentes comunitários de saúde, agentes de controle de endemias, supervisores e apoio logístico. O trabalho contou ainda com o reforço de 18 estudantes de medicina veterinária da Unimar, ampliando o alcance das ações educativas.

Mais do que eliminar focos, o objetivo foi orientar — e aí está um dos pontos centrais do combate.

“A ação foi bastante válida, pois além de reduzirmos os criadouros, conseguimos orientar moradores e comerciantes, evitando a proliferação da doença”, destacou a supervisora da Divisão de Zoonoses, Talita Rodrigues.

Queda histórica — mas com alerta ligado

Os números gerais da dengue em Marília ajudam a explicar o otimismo cauteloso das autoridades de saúde.

Nos três primeiros meses de 2026, o município registrou 46 casos confirmados, uma redução expressiva de 99,5% em relação ao mesmo período do ano passado.

Para a secretária municipal da Saúde, Paloma Libanio, o resultado é fruto direto do trabalho contínuo das equipes — mas não permite relaxamento.

“Conseguimos uma redução significativa, mas é fundamental que a população continue fazendo sua parte. A dengue se combate dentro de casa”, reforçou.

O ponto crítico: imóveis fechados

Se por um lado a ação conseguiu eliminar focos importantes, por outro escancarou um gargalo recorrente: o alto número de imóveis fechados durante as visitas.

Na prática, isso significa que quase metade das residências não pôde ser vistoriada, o que mantém áreas potencialmente vulneráveis à proliferação do mosquito.

É nesse ponto que a estratégia pública encontra seu limite — e onde entra a responsabilidade individual.

Combate contínuo

A Prefeitura mantém ações permanentes de bloqueio e controle de criadouros em diferentes regiões da cidade. A orientação segue a mesma: eliminar qualquer recipiente que acumule água parada — de pratinhos de plantas a calhas e caixas d’água.

Mais informações podem ser obtidas junto à Divisão de Zoonoses pelo telefone (14) 3401-2054.

No fim das contas, a conta é simples: enquanto houver água parada, haverá risco. E enquanto houver risco, o combate não pode parar.

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