
Uma manobra que levanta sérias suspeitas sobre a transparência e a lisura dos trabalhos na Câmara Municipal de Jaú resultou no arquivamento de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) que poderia desvendar um esquema de desvio de recursos na Secretaria da Saúde. A denúncia, encabeçada pelo vereador Dr. Paulo de Tarso (Podemos), aponta para o sumiço de equipamentos doados pela Unoeste como contrapartida pela instalação do curso de Medicina na cidade, mas a investigação foi barrada antes que a população pudesse conhecer a verdade dos fatos.
O estopim da crise foi a doação de 246 aparelhos de ar-condicionado pela universidade à prefeitura em 2024. A Secretaria da Saúde, no entanto, não soube explicar o paradeiro de todos os equipamentos. Não há notas fiscais de tudo, os bens não foram devidamente patrimoniados e, pior, corre à boca pequena a informação de que parte dos aparelhos teria sido desviada. Diante da gravidade, Dr. Paulo de Tarso, na qualidade de presidente da Comissão de Saúde da Câmara, não viu outra alternativa senão propor a abertura de uma CEI para ir a fundo na questão.
INVESTIGAÇÕES
A CEI, instaurada em abril deste ano, tinha como objetivo principal apurar não apenas o caso dos aparelhos de ar-condicionado, mas todas as contrapartidas da Unoeste, que incluem reformas de postos de saúde, compra de mobiliário e doação de veículos. A sociedade jauense aguardava com enorme expectativa por respostas: onde foi parar o dinheiro? As obras tiveram licitação? E, principalmente, quem são os responsáveis pelo sumiço dos equipamentos?
Durante os trabalhos, a comissão ouviu o atual secretário da Saúde, Dr. Segura, servidores da pasta e a coordenadora da Unoeste, Amanda Creste, que garantiu ter todos os comprovantes de doação. A peça-chave, no entanto, era a ex-secretária Ana Paula Rodrigues, considerada uma “mulher-bomba” por ter, supostamente, alertado o prefeito Ivan Cassaro sobre irregularidades.
MANOBRA E FALTA DE TRANSPARÊNCIA
Contudo, na última semana, o que se viu foi um verdadeiro balde de água fria na esperança da população por justiça e transparência. O relatório final da CEI, elaborado pelo relator Sensei Hercílio, concluiu pelo arquivamento da investigação. A situação se tornou ainda mais escandalosa quando a maioria dos vereadores, em uma votação controversa, aprovou a dispensa da leitura integral do relatório em plenário.
A manobra, solicitada pelo vereador Rodrigo Campanhã, impediu que a população e a imprensa tivessem acesso completo aos fundamentos que levaram ao pedido de arquivamento. Na contramão da falta de transparência, apenas os vereadores Dr. Paulo de Tarso e Tito Coló (União) votaram a favor da leitura, defendendo que a publicidade dos atos é pilar essencial para a credibilidade do Legislativo.
O episódio reforça o clima de tensão política na Casa e deixa um rastro de desconfiança. Por que tanto esforço para esconder um relatório? O que há de tão grave nos documentos que a população não pode saber? A decisão de arquivar a CEI sem uma satisfação clara à sociedade jauense soa como um acinte e uma proteção a possíveis envolvidos em um esquema que lesa os cofres públicos e, consequentemente, o cidadão que depende de um serviço de saúde de qualidade.
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