
Trabalhador terceirizado morreu após ser sugado por equipamento submerso ao salvar colega durante manutenção; caso expõe riscos do mergulho industrial e levanta questionamentos sobre protocolos de segurança em hidrelétricas
Infelizmente o que era para ser mais uma intervenção técnica terminou em morte — e heroísmo. O mergulhador Ivan Ferreira de Araújo, de 58 anos, perdeu a vida na tarde de sexta-feira (27), durante uma manutenção na hidrelétrica de Barra Bonita, após salvar um colega de trabalho.
Funcionário de uma empresa terceirizada contratada pela Auren Energia, Ivan participava de uma operação considerada rotineira. Mas, no ambiente submerso, o previsível nem sempre é seguro.
Segundo o registro policial, um dos mergulhadores ficou preso em estruturas no fundo do rio. Ivan conseguiu libertá-lo. Na sequência, porém, foi surpreendido por uma corrente de sucção provocada por um equipamento submerso — uma força invisível, mas suficiente para imobilizá-lo pela perna.
O resgate ainda foi tentado por um terceiro mergulhador. Ivan chegou a ser retirado da água com vida, mas em parada cardiorrespiratória. Encaminhado à Santa Casa de Jaú, não resistiu.
O preço do heroísmo
Atividades de mergulho industrial em hidrelétricas envolvem variáveis complexas: pressão, visibilidade quase nula, estruturas metálicas, fluxo de água e equipamentos de sucção. Um erro, ou uma falha de avaliação, pode ser fatal.
E, muitas vezes, esses trabalhadores operam sob responsabilidade de empresas terceirizadas — um modelo que, embora comum, frequentemente entra no debate quando acidentes graves acontecem.
A morte de Ivan não é apenas mais um registro trágico. Há, no episódio, um elemento que chama atenção: ele morreu depois de salvar um colega.
Isso levanta uma questão inevitável — havia plano de contingência adequado? Protocolos suficientes para situações de risco extremo? Equipamentos de proteção compatíveis com a operação?
Nota oficial e investigação
Em nota, a Auren Energia lamentou a morte do profissional e informou que presta apoio à família, colegas e à empresa contratada. A companhia também afirmou que as causas do acidente estão sendo apuradas.
A investigação deve apontar se houve falha humana, técnica ou operacional — ou uma combinação desses fatores.
Um rio sob pressão: não é só o acidente
O episódio ocorre em um momento em que o Rio Tietê enfrenta outro problema visível: a proliferação de aguapés.
Nos últimos dias, um “tapete verde” se formou entre Barra Bonita e Igaraçu do Tietê, afetando inclusive a navegação turística. Embora não tenha relação direta com o acidente, o fenômeno revela um rio sobrecarregado — tanto ambiental quanto operacionalmente.
A própria empresa informou que tem adotado medidas como abertura controlada de comportas e diálogo com autoridades e setores impactados. As investigações seguem.
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