
Cena de destruição evidencia a periculosidade da Vicinal Jaú-Potunduva, onde o LED e o viaduto prometidos pela Prefeitura e pela Rumo seguem apenas no papel enquanto o sangue continua sendo derramado.
Novamente a região da Venda Seca é palco de dor e questionamento popular. O sábado (9) começou com uma cena de guerra que chocou quem passava pela região da Venda Seca, em Jaú. Uma motocicleta Honda, ocupada por dois trabalhadores moradores do Distrito de Potunduva, saiu da pista e ficou literalmente cravada entre os troncos de duas palmeiras. O veículo permaneceu suspenso a cerca de um metro do chão, em uma imagem que simboliza a violência do impacto e a precariedade de um trecho que já ganhou o apelido de “Vicinal da Morte”.
O ESTADO DAS VÍTIMAS
Informações extraoficiais dão conta de que as vítimas seriam dois homens, moradores do distrito. Segundo apurado por nossa reportagem, o estado de saúde é considerado gravíssimo, com suspeita de traumatismo craniano e fraturas múltiplas. Ambos permanecem sob cuidados intensivos na Santa Casa. No momento do acidente, eles seguiam para o trabalho.
RAIO-X DO DESCASO: O ABISMO ENTRE O DISCURSO E A PRÁTICA
Enquanto o sangue continua sendo derramado, o balanço entre o que foi anunciado e o que o motorista realmente encontra na pista é desolador. Confira o levantamento exclusivo:
| O QUE FOI PROMETIDO | RESPONSÁVEL | STATUS ATUAL (MAIO/2026) |
|---|---|---|
| Viaduto sobre a Linha Férrea | Prefeitura / Rumo | NO PAPEL. Projeto anunciado em 2025 para eliminar o conflito; obras não iniciadas. |
| Iluminação de LED (Jahu Iluminada) | Prefeitura de Jaú | PARCIAL. O LED parou no perímetro urbano; Venda Seca e Laguna seguem no breu. |
| Recapeamento de R$ 5,6 Milhões | Governo SP / DER | EM ANDAMENTO. Ignora as vias marginais de terra e os acostamentos tomados pelo mato. |
| Sinalização Ativa (Sonora/Luz) | Rumo Logística | PENDENTE. Motoristas relatam falta de visibilidade e alertas ineficientes nos trilhos. |
O SILÊNCIO QUE MATA
Como de costume, a administração municipal preferiu o silêncio, ignorando os questionamentos que são, na verdade, cobranças da própria população de Potunduva. A Rumo também ainda não detalhou prazos para o início das obras estruturais no cruzamento férreo.
Com três vítimas graves apenas neste início de ano — incluindo um óbito em abril no trecho do Laguna — a Vicinal José Maria Verdini tornou-se uma roleta-russa para o trabalhador. Enquanto as autoridades se calam, as palmeiras da Venda Seca guardam as marcas de uma tragédia que poderia ter sido evitada com o mínimo de infraestrutura e respeito ao cidadão.
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