Inmet aciona Alerta de Perigo para novo temporal e ameaça travar reconstrução de Ribeirão Preto e região

Cenário de pós-guerra: estruturas desabadas e veículos esmagados após microexplosão em Ribeirão Preto; região agora corre contra o tempo sob novo alerta do Inmet. (Foto: Reprodução/Internet)

Inmet emite aviso de perigo para granizo e ventos de até 60 km/h enquanto região contabiliza um morto, hospitais interditados e 130 mil imóveis no escuro após microexplosão.

O clima de tensão continua. O fim de semana que deveria ser de calmaria começou sob extrema tensão no interior de São Paulo. Poucas horas após enfrentar uma das madrugadas mais destrutivas de sua história recente, Ribeirão Preto e o cinturão de cidades vizinhas correm contra o tempo e contra o céu. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) acionou um novo alerta amarelo de perigo potencial para tempestades válido para todo este sábado (25). O aviso meteorológico traz a previsão de chuvas rápidas, queda de granizo e rajadas de vento de até 60 km/h — uma ameaça direta a uma região com a infraestrutura fragilizada, milhares de imóveis destelhados e bairros inteiros completamente no escuro.

A nova instabilidade encontra um cenário de pós-guerra na maior cidade da região. O balanço consolidado pelas forças de segurança confirma que as microexplosões atmosféricas ocorridas na madrugada anterior deixaram um saldo de um morto e um ferido grave. A vítima fatal, um idoso de 82 anos, dormia em sua casa no bairro Jardim Salgado Filho quando a estrutura metálica de um galpão vizinho desabou sobre o imóvel. A gravidade do blecaute que se seguiu paralisou até mesmo os serviços funerários locais, forçando a suspensão temporária de velórios e sepultamentos devido à falta de luz. No corredor comercial da Avenida Antônio e Helena Zerrener, equipes de resgate atuaram de forma cirúrgica para retirar com vida uma pessoa soterrada após o desabamento do teto de uma academia.

O reflexo mais agudo da crise se concentra no sistema público de saúde, que opera em absoluto regime de contingência. A ala de urgência e trauma do Hospital das Clínicas (HC) teve o teto destruído e permanece totalmente interditada, bloqueando o recebimento de novos pacientes. Com a Santa Casa e o Hospital Santa Lydia sustentados apenas pelo uso emergencial de geradores elétricos, o município viu sua retaguarda de atendimento imediato despencar para apenas 13 leitos operacionais. Para absorver a demanda de alta complexidade da população de 750 mil habitantes, a Secretaria de Estado da Saúde ativou hospitais de Matão, São Carlos e Américo Brasiliense para onde os casos graves começaram a ser transferidos pelas rodovias da região.

Nas vias públicas, o novo alerta do Inmet acelera uma força-tarefa de limpeza viária. O Corpo de Bombeiros contabilizou mais de 250 quedas de árvores de grande porte, obstruindo eixos cruciais de tráfego como as avenidas Nove de Julho, Dom Pedro e Francisco Junqueira. A queda dos troncos arrastou a fiação de 14 linhas de transmissão e desativou 8 subestações da CPFL Paulista, cortando a internet, a telefonia e o bombeamento de água da Saerp para cerca de 130 mil imóveis de Ribeirão Preto. Até a manhã de hoje, as equipes de campo da concessionária conseguiram restabelecer o fornecimento de energia para 60% dos clientes afetados, mas a reconstrução física das 34 torres de alta tensão derrubadas pela ventania deve avançar ao longo do final de semana. Paralelamente, o acolhimento social atende oito pessoas alojadas de forma emergencial na EMEF Professor Virgílio Salata, enquanto assistentes sociais realizam a triagem de 293 famílias vulneráveis na comunidade Rio Pardo para a entrega de kits de ajuda humanitária.

O medo do “repique” da tempestade é compartilhado pelas cidades do entorno, severamente castigadas pela força do vento que chegou a atingir marcas históricas de 121 km/h em Pradópolis. A destruição da malha elétrica regional provocou o desligamento quase total de quatro municípios vizinhos: Dumont, Barrinha, Guariba e a própria Pradópolis registraram mais de 99,8% de seus domicílios sem luz nas últimas horas, com Dumont sofrendo um apagão integral de 100% de sua malha urbana. Em Guariba, a tempestade de granizo desfigurou a estrutura do estádio municipal e danificou coberturas residenciais, motivando a prefeitura local a assinar o decreto de estado de emergência. Aos poucos, as principais rodovias que ligam os polos produtores, como a Rodovia Bandeirantes (SPA-325/322) e a Rodovia Mário Donegá (SP-291), foram desobstruídas e operam em pista limpa. Diante do impacto geográfico, técnicos da Defesa Civil Nacional desembarcaram em Ribeirão Preto para coordenar a distribuição de insumos federais e acelerar o repasse de verbas de reconstrução aprovadas pelo Ministério da Integração.

Guia de Utilidade Pública: O que fazer em caso de novos temporais

Com o solo encharcado, fiação exposta e a infraestrutura urbana fragilizada, a Defesa Civil emitiu orientações específicas para a população regional neste sábado:

  • Cabos partidos na calçada: Nunca se aproxime ou toque em fios caídos, mesmo que pareçam desligados. Isole a área e acione imediatamente a CPFL Paulista pelo telefone 0800 010 1010 ou pelo aplicativo da distribuidora.
  • Risco de quedas: Evite estacionar veículos ou se abrigar embaixo de árvores, postes ou outdoors. Muitas estruturas foram abaladas pelo vento de ontem e podem ceder com rajadas menores hoje.
  • Apagão e picos de energia: Diante de novos trovões e relâmpagos, retire os aparelhos eletroeletrônicos das tomadas para evitar a queima de equipamentos devido à forte instabilidade na rede.
  • Contatos de Emergência: Em caso de destelhamentos, inundações ou estruturas residenciais com rachaduras ameaçadoras, acione a Defesa Civil pelo número 199 ou o Corpo de Bombeiros pelo 193

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