Fora da Lista: Falta de Projetos e Prestígio Político Deixa Jaú Sem Verbas Estaduais Contra Enchentes

Faltou Projeto? Jaú é ignorada em repasse milionário do Estado. (Imagem: Centro alagado em Jan/22 - Reprodução/ SBT)

Enquanto 18 municípios dividem R$ 227 milhões para obras de prevenção e recuperação, Jaú amarga o esquecimento.

Mais uma vez, o cenário se repete: o Governo de São Paulo, por meio da Operação SP Sempre Alerta, anunciou um pacote robusto de investimentos para combater os estragos das chuvas, e Jaú, historicamente castigada pelas enchentes, não aparece no mapa das prioridades. O recente anúncio de R$ 227,3 milhões destinados a obras de recuperação e prevenção em 18 cidades acendeu o alerta sobre o isolamento político e técnico que a atual gestão parece enfrentar.

PROVA DOCUMENTAL: Trecho do anúncio oficial do Governo de SP confirmando o repasse de R$ 1.013.995,96 para Herculândia. Enquanto cidades vizinhas garantem pontes e obras, Jaú segue fora da lista de convênios da Defesa Civil. (Imagem: Reprodução/Agência SP)

O que mais chama a atenção não é apenas a ausência de Jaú, mas a eficiência de cidades significativamente menores. Na região de Marília, o município de Herculândia garantiu o repasse oficial de R$ 1.056.702,30 para obras de recuperação. O paradoxo é gritante: Herculândia tem cerca de 9 mil habitantes — quase 15 vezes menos que Jaú — mas demonstrou ter mais “força” para preencher os requisitos técnicos do Estado.

O Peso da Operação SP Sempre AlertaA Operação SP Sempre Alerta, coordenada pela Defesa Civil do Estado, exige que os municípios apresentem projetos estruturados e planos de trabalho detalhados para liberar os recursos. A ausência de Jaú na lista oficial sugere que a prefeitura não conseguiu protocolar propostas viáveis ou não teve o “traquejo político” necessário para garantir a urgência do Rio Jaú junto às secretarias estaduais.

Enquanto o recurso não vem, a população segue refém do calendário. A cidade ainda carrega as cicatrizes da maior enchente de sua história, em 30 de janeiro de 2022, quando o nível do rio subiu três metros, causando mortes e destruição. O pesadelo se renovou na transição de dezembro de 2022 para janeiro de 2023, com novos transbordamentos que confirmaram que o problema é estrutural e contínuo.

Ficar de fora de um investimento que contempla desde pontes e galerias até muros de contenção (como os que serão feitos em cidades como Socorro e Amparo) não é apenas um azar estatístico; é um sinal de que a voz de Jaú está baixa demais nos corredores de São Paulo. Se a gestão não ganhar agilidade técnica para apresentar projetos à altura da Operação SP Sempre Alerta, o próximo verão poderá ser apenas o replay de um desastre anunciado.

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